BRISA DA SEMANA

Você já deve ter visto esse vídeo:

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Eu gosto dele por um motivo simples: ele mostra como uma história, quando é repetida por tempo suficiente, vira “verdade”, e a gente nem lembra mais de questionar.

Em algum momento, eu digo quase de passagem:

“Depois eu conto pra vocês como o Papai Noel entrou nessa história…”

E nesse momento que a conversa começa a ir além do Natal, porque não é sobre tirar o valor simbólico de nada. É sobre perceber como narrativas se formam, se adaptam e passam a organizar a forma como a gente entende o mundo.

Uma história que todo mundo acredita vira realidade

O ponto principal do vídeo é simples e poderoso: a gente vive dentro de histórias compartilhadas.

E quando uma história é repetida por tempo suficiente, ela começa a parecer “natural”, ela se torna tão comum quanto um calendário, sendo uma verdadeira tradição.

Vira algo que ninguém mais questiona porque já está misturado na vida.

O Natal é um exemplo ótimo disso.

Não porque “é mentira”, mas porque mostra como narrativas se reorganizam ao longo do tempo.

Algumas partes vêm de crença religiosa, outras vêm de celebrações pagãs do solstício, outras vêm de adaptações culturais que tornaram a data mais assimilável para diferentes povos.

E, com o tempo, a história fica tão redonda que parece que sempre foi assim, e, é aqui que entra uma frase que eu gosto muito:

“Uma história que todos acreditam vira uma realidade.”

Não no sentido de virar “fato histórico”, mas no sentido de virar uma realidade social.

Aquilo passa a produzir comportamento real, emoção real, memória real, identidade real.

Como se forma um mito ou uma lenda

Mitos surgem porque funcionam, eles ajudam a explicar o mundo, organizar o tempo, dar sentido ao que é grande demais pra caber em dados e datas.

Por isso, aparecem padrões repetidos entre culturas diferentes: nascimento simbólico, renascimento, luz e sombra, morte e retorno.

Mesmo que os detalhes mudem, a estrutura se mantém, porque a estrutura conversa com algo humano e nisso, acontece uma coisa interessante: o mito não precisa ser literal pra ser útil, mas ele precisa ser significativo.

O problema começa quando a gente confunde significado com literalidade e passa a tratar qualquer narrativa como se fosse um bloco fechado, sem contexto, sem história, sem camadas.

Quando você entende como um mito se forma, você também começa a entender como certezas se formam.

Quais são as lendas e mitos que você tem acreditado?

E agora vem o ponto que, pra mim, vale o conteúdo inteiro.

Porque isso não acontece só com datas religiosas ou tradições culturais, isso também acontece dentro da gente.

A gente cria enredos sobre quem é.

  • Sobre o que merece.

  • Sobre como o amor deveria ser.

  • Sobre o que é “ser uma mulher boa”.

  • Sobre o que é sucesso, fracasso, valor, limite, culpa.

E depois de repetir o enredo mil vezes, a gente não enxerga mais que aquilo é história, e a gente chama de personalidade ou destino ou até de “meu jeito”.

Só que muitas dessas “verdades internas” começaram como acordo também: alguém disse, você absorveu, repetiu, e um dia virou identidade.

  • “Eu não sou boa o suficiente.”

  • “Eu sempre estrago tudo.”

  • “Eu tenho que aguentar.”

  • “Eu não posso decepcionar.”

  • “Se eu falar o que eu sinto, vão me rejeitar.”

São mitos pessoais, isso é, narrativas que viraram chão e quando você vive em cima de um mito, você toma decisões como se ele fosse real.

Entre nós

Eu acho que o trabalho mais importante que a gente faz na vida adulta é esse: perceber quais histórias a gente herdou e nunca mais revisou.

Porque questionar não destrói o que é verdadeiro. Só destrói o que era frágil demais pra ser olhado de perto, e, talvez a pergunta dessa semana seja simples:

Qual história você está vivendo como verdade… só porque sempre foi repetida assim?

Com carinho,

Laylä Föz 🌙

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