BRISA DA SEMANA

Deusa, estamos na semana de Carnaval.

E antes de qualquer coisa, deixa eu ser honesta: o meu Carnaval ideal seria numa cachoeira isolada ou numa praia tranquila, bem longe de blocos de carnaval.

Mas essa sou eu.

E eu não começo essa conversa para julgar quem ama bloquinho, Sapucaí ou Olinda, ano passado eu fui.

Pelo contrário de julgar. Acho que a pergunta mais interessante não é “Carnaval é certo ou errado?”, e sim: o que essa festa realmente representa?

De onde vem o Carnaval?

O Carnaval não nasceu como festa brasileira. Ele vem de celebrações pagãs antigas ligadas à fertilidade, à colheita e à inversão temporária das regras sociais.

Na Roma Antiga, durante as Saturnálias, as hierarquias eram suspensas, máscaras eram usadas e o excesso era permitido por alguns dias.

Era uma espécie de catarse coletiva antes do retorno à ordem.

Com o cristianismo, essas celebrações foram reorganizadas. O próprio nome “Carnaval” vem de carne vale, algo como “adeus à carne”, marcando o período anterior à Quaresma, quando começava o tempo de jejum e recolhimento.

Ou seja: o Carnaval sempre foi o ápice antes da pausa.

Excesso antes da introspecção.

E talvez entender isso já mude a forma como você olha para esses dias.

Energia não é contágio automático

Uma das perguntas que mais me fazem é sobre “energia”.

E eu vou ser sincera, eu não acredito que energia seja algo que simplesmente pula de pessoa pra pessoa como um vírus inevitável… Longe disso.

Eu acredito muito mais no campo que você abre.

Se você entra em qualquer ambiente, seja bloco, praia, shopping ou elevador do seu prédio, com o coração completamente esponja, você absorve.

Mas não porque o lugar é “amaldiçoado”. E sim porque você está permeável demais.

O que atravessa você é o que encontra eco dentro de você.

Isso tira a culpa do ambiente e devolve a responsabilidade para a consciência.

Fantasia é símbolo

Agora tem um ponto que me interessa muito.

Carnaval é fantasia. E fantasia é símbolo.

Você pode ser qualquer coisa por um dia.

Qualquer coisa.

E aí a pergunta que me vem é: o que você escolhe vestir?

Quando a gente fala de arquétipo, fala de inconsciente. Fala de partes nossas que querem se expressar.

Se eu fosse, talvez escolheria algo que eu quisesse ativar em mim. Uma Atena, por exemplo, se quisesse fortalecer estratégia e sabedoria. Ou uma sereia, se quisesse mergulhar mais na intuição.

Porque quando você sustenta um símbolo no corpo, ele conversa com você por dentro.

Não é superstição. É psicologia simbólica.

E isso me faz refletir sobre o quanto a gente escolhe, muitas vezes sem perceber, aquilo que também alimenta internamente.

Entre nós

Deusa, o que eu gosto de lembrar nessa semana é que Carnaval é uma espécie de espelho coletivo.

Tem gente que usa como expansão, tem gente que usa como fuga, tem gente que usa como descanso, tem gente que usa como rito.

Nenhuma dessas experiências é “a verdade”, elas só mostram o que cada uma está precisando por dentro.

Às vezes, a melhor parte do feriado é começar bem e terminar bem, se você está segura sobre isso, pode ficar despreocupada e viver.

Com carinho,

Laylä Föz 🌙

Keep Reading