BRISA DA SEMANA
Deusa, quantas promessas você faz por dia pra dar conta de tudo?
A gente vive cercada de compromissos invisíveis.
Com o trabalho, com o outro, com a imagem que a gente quer sustentar…
Mas quase nunca com o que realmente importa: a verdade de quem a gente é.

O escritor mexicano Don Miguel Ruiz fala sobre isso com uma sabedoria tão simples que chega a desarmar.
Ele diz que a liberdade começa quando você escolhe viver com consciência, quando para de agir por medo, por culpa ou por costume, e começa a agir por amor e presença.
E talvez o maior desafio do nosso tempo seja lembrar que viver em paz não é ter tudo sob controle, mas não se trair no meio do caos.
Porque a alma adoece cada vez que diz sim querendo dizer não,
cada vez que se cala quando queria se expressar,
cada vez que aceita o que não acredita…

A palavra como semente
Deusa, já reparou como uma palavra pode mudar o rumo de um dia?
Às vezes basta um “você consegue” pra reacender a coragem, ou um “você é demais” dito no momento certo pra curar um pedaço esquecido da alma.

Mas o contrário também é verdade. Uma frase dita sem presença, uma crítica que escapa no automático, pode virar cicatriz.
Don Miguel Ruiz chama isso de ser impecável com a palavra e não é sobre perfeição gramatical, é sobre energia.
“Impecável” vem do latim impeccabilis, que significa sem pecado, ou melhor, sem traição da verdade.
Cada vez que você fala mal de si mesma, mesmo em tom de piada, como: “sou lerda”, “nada dá certo comigo”, o corpo escuta…
E a mente acredita.
A palavra é como semente: o que você planta nela, germina dentro.

Se planta julgamento, colhe medo.
Se planta gentileza, colhe leveza.
Por isso, ser impecável não é censurar o que você diz, é escolher o que você quer criar com o que diz.
Porque o verbo também é criação.

Nada é pessoal
Deusa, se eu te contar que quase nada do que dizem sobre você tem a ver com você, você acredita?
Pois é…
Don Miguel Ruiz diz que nada é pessoal, e parece simples, mas é um dos compromissos mais libertadores e mais difíceis de viver.
A verdade é que ninguém nos vê como somos. Cada pessoa enxerga através das lentes da própria história, das feridas, das crenças, dos dias bons e dos dias ruins.

O que o outro diz sobre você fala mais sobre o mundo dele do que sobre o seu.
Quando alguém te critica, projeta o que carrega. Quando te elogia, também. Tudo o que sai de alguém passa antes pelo filtro interno, o de amor ou o de dor.
E é por isso que Don Miguel diz:
“Nada que os outros fazem é por sua causa. O que eles dizem e fazem é uma projeção da realidade deles.”
Quando você entende isso, algo muda profundamente. As ofensas deixam de doer tanto, as opiniões perdem o peso, e até os elogios ficam mais leves, porque você para de viver em função do olhar alheio.
Você continua escutando, mas já não se define pelo que escuta. E é ali que começa a verdadeira liberdade.
Não levar nada para o lado pessoal não é ser fria. É ser centrada. É saber que o seu valor não está em quem te entende, mas em quem você é quando o mundo se cala.

Livre das suposições
Deusa, quantas vezes você já sofreu por uma história que só existia na sua cabeça?
A mensagem que não chegou, o olhar que você interpretou, o silêncio que virou mil significados... A mente é uma roteirista incansável.

Don Miguel Ruiz chama isso de o veneno das suposições, o hábito de preencher o que não sabemos com o que mais tememos. Ele diz:
“Encontramos problemas onde eles não existem, porque acreditamos saber o que o outro pensa.”
E é exatamente assim que nascem tantos conflitos: não da verdade, mas das versões. Um diálogo que poderia esclarecer tudo vira um campo minado de interpretações.
A falta de uma pergunta vira distância. O medo de parecer vulnerável vira orgulho.
Mas, deusa, a clareza é uma forma de amor. Quando você pergunta em vez de presumir, quando escolhe ouvir em vez de adivinhar, o drama se dissolve.
A mente descansa.
E o vínculo respira.

A prática da presença
Deusa, às vezes o melhor que a gente pode fazer é levantar da cama. Outras vezes, é atravessar o dia com o coração aberto, mesmo cansada.
Don Miguel Ruiz diz: “Dê sempre o seu melhor.”

Mas ele também lembra que o seu melhor muda e tudo bem.
O que importa é fazer o que estiver ao alcance do seu estado de hoje, sem culpa e sem cobrança.
Tem dias em que o “melhor” é produzir, criar, realizar.
Em outros, o “melhor” é respirar e não desistir.
Quando você se entrega com sinceridade, sem autopunição, o resultado deixa de ser peso e vira expressão. E é aí que a vida ganha significado: não quando está sob controle, mas quando está sendo vivida de verdade.
Ruiz diz que, quando damos o nosso melhor, paramos de julgar e começamos a fluir.
A culpa perde espaço, e a paz se instala no lugar da exigência.
Então, se hoje o seu melhor for pequeno, ainda assim é sagrado.

Entre eu e você
Deusa, às vezes eu também esqueço dos meus próprios compromissos.
Não os da agenda, mas os da alma.
Aqueles que me lembram de falar com verdade, de não me levar tão a sério, de perguntar antes de supor, de agir com presença.
E quando me percebo voltando pros velhos hábitos, pro controle, pra pressa, eu respiro e lembro: O caminho do amor próprio não é uma linha reta.
É uma dança entre esquecer e lembrar.
Don Miguel Ruiz diz:
“Você é o artista da sua vida. Use o amor como pincel e o coração como tela.”
Talvez seja isso o que ele queria dizer o tempo todo, que a liberdade não nasce quando tudo está resolvido, mas quando você escolhe ser autora da própria história, uma palavra, uma escolha, um gesto de cada vez.
Então me conta, deusa, qual desses compromissos mais te chama hoje?
A palavra?
A leveza?
A presença?
Talvez seja o momento de renovar o seu acordo com a vida.
Com carinho,
Laylä Föz 🌙