BRISA DA SEMANA
Deusa… você já reparou que, às vezes, a sua mente parece maior que a sua vida?
É como se dentro da cabeça existisse um império inteiro pra administrar: expectativas, cobranças, pensamentos que não param, emoções que chegam sem pedir licença… e uma sensação constante de que você precisa dar conta de tudo ao mesmo tempo.
O mais curioso é que isso não é novo.
Há quase dois mil anos, Marco Aurélio, um imperador, escreveu uma coisa tão simples e tão profunda que parece feita pra nós: “Você tem poder sobre a sua mente, não sobre os eventos externos.”

Ele governava o maior império do mundo, mas sabia que o verdadeiro caos não estava nas fronteiras de Roma, e sim dentro dele.

E é impossível não pensar: se até um imperador se sentia sobrecarregado… imagina nós, tentando governar paixões, ansiedades, notificações, expectativas e esse turbilhão emocional que nunca descansa?
Marco Aurélio não escrevia pra inspirar ninguém. Escrevia pra sobreviver ao próprio mundo interno…
E talvez seja exatamente isso que a gente precise aprender com ele: como encontrar centro quando tudo ao redor, e dentro, parece instável.

Responder em vez de reagir
Marco Aurélio sabia que a diferença entre paz e caos quase sempre cabe em um segundo: aquele instante entre o que acontece e o que você faz com isso.

Ele escrevia muito sobre isso porque, mesmo sendo imperador, não podia controlar o que chegava até ele, apenas como respondia.
E essa ideia vale demais pra nós.
A reação é automática.
É quando você devolve no impulso, sobe o tom, cria cenário na cabeça, toma decisão cansada, fala o que não queria.
Marco Aurélio dizia que ninguém pode te tirar a capacidade de responder com presença.
Só você entrega isso, quando deixa a emoção pilotar sem freio.
E a verdade é simples: quanto mais você responde, menos você se arrepende.
Quanto mais reage, mais vira refém do momento.

O peso da opinião alheia
Marco Aurélio era um dos homens mais observados do mundo. Ainda assim, ele expressava: “A opinião dos outros não define quem você é.”
Ele sabia que viver em função do olhar alheio é perder a própria vida E, deusa… isso não podia ser mais atual.
Hoje você não tem um império romano te observando, mas tem redes sociais, família, trabalho, expectativas externas e internas, todas querendo um pedaço de você.
E, sem perceber, você começa a se ajustar:
– fala menos do que sente
– mostra só a parte bonita
– evita desagradar
– se cobra por não ser perfeita
– tenta ser compreendida por gente que não te enxerga
Marco Aurélio diria que isso é desperdício de energia…

Porque, no fim, você dorme com sua própria consciência, não com a expectativa dos outros.
Quando você retorna pra esse lugar — o lugar de si — tudo fica mais leve.
Não porque o mundo muda, mas porque você para de se perder nele.

Lembrar que a vida acaba muda tudo
Marco Aurélio escrevia sobre a morte o tempo todo, mas não era drama. Era lembrete.

Ele dizia, basicamente: você vai morrer, todo mundo vai. Então o que você está fazendo com o tempo que tem?
Quando a gente esquece disso, qualquer coisa vira catástrofe:
uma crítica vira fim do mundo,
um atraso vira fracasso,
um plano que muda vira desastre.
Quando lembra que a vida é finita, algumas perguntas começam a aparecer:
– isso merece mesmo tanto da minha energia?
– vale perder um dia inteiro alimentando essa briga mental?
– se eu tivesse menos tempo, é assim que eu gostaria de viver hoje?
Memento mori não é sobre viver com medo.
É sobre viver com prioridade. De repente, fica mais fácil dizer não, pedir desculpa, se perdoar, tentar de novo.
Porque o foco deixa de ser “parecer certa” e passa a ser “estar em paz”.

Entre eu e você
Vou ser sincera: eu também me perco em coisas pequenas.
Já gastei dias inteiros remoendo conversas, revisando cenas na cabeça, tentando controlar o que já tinha passado. E, no fim, fiquei só cansada.
Quando li Marco Aurélio, uma frase colou em mim: “Você vive como se fosse viver para sempre.”
Doeu um pouco.
Porque eu vi quantas vezes deixei para “depois” conversas importantes, mudanças necessárias, descansos urgentes.
Hoje, quando percebo minha mente montando um império de preocupação, eu paro e me pergunto: “Se a vida é finita, é aqui que eu quero gastar meu dia?”
Quase sempre, a resposta me traz de volta.
Com carinho,
Laylä Föz 🌙