BRISA DA SEMANA

Deusa, eu quero começar essa conversa com uma pergunta simples: qual foi a última vez que você fez algo só pra você, sem pegar o celular antes?

Não estou falando de spa, viagem ou algo grandioso…

Estou falando de um café feito devagar, de uma caminhada sem fone, ou de cinco minutos na varanda antes de o dia começar de verdade.

Essas coisas parecem banais, mas não são, elas são rituais.

E essa semana, a gente vai falar sobre o poder enorme que existe em repetir algo pequeno, com presença.

O que é ritual (e o que não é):

Quando a gente fala em ritual, muita gente pensa em vela, incenso, lua cheia.

E tudo bem se você usa essas coisas. Eu uso.

Mas ritual não é apenas isso.

Ritual é qualquer ação repetida com intenção.

Só isso, simples assim.

  • Não é superstição.

  • Não é crença obrigatória.

  • Não precisa ter altar, nem feitura, nem roupas especiais.

  • Você pode ser ateia, cristã, agnóstica, espírita, cética declarada.

Não importa.

Ritual é estrutura, é a forma como você diz ao corpo e à mente: agora eu estou aqui.

Casper Ter Kuile, autor de The Power of Ritual, fala sobre algo que eu acho muito bonito: ele defende que ações cotidianas, como correr, cozinhar, ler, podem se tornar sagradas quando feitas com atenção e repetição.

E quando eu li isso, pensei: é exatamente o que eu sinto quando preparo meu café da manhã. Não é sobre o café. É sobre o momento em que eu decido que vou estar presente.

Parar antes de reagir

Patañjali, nos Yoga Sutras, fala de uma coisa que eu repito muito pra mim mesma:

Yogaś citta vṛtti nirodhaḥ.

Em tradução livre: yoga é a cessação das flutuações da mente.

Ou seja: presença é quando a mente para de reagir automaticamente.

E o que um ritual faz?

Ele cria um espaço entre você e a reação.

Quando você acorda e, antes de olhar o celular, senta na cama por dois minutos e respira, você não está fazendo “nada”.

Você está dizendo ao seu sistema nervoso: eu estou no comando.

Você está escolhendo antes de ser escolhida. E isso muda tudo.

Muda como você responde a primeira mensagem do dia. Muda como você se sente às 10h da manhã. Muda como você se relaciona com o próprio tempo.

É você dizendo: este tempo é meu.

Micro-rituais que ancoram

Eu não acredito em listas de hábitos perfeitos, mas acredito em âncoras.

Pequenas coisas que te puxam de volta pra você quando o mundo puxa pra fora.

Deixa eu compartilhar algumas ideias, não como regra, mas como convite:

  • Acordar sem celular. Mesmo que por cinco minutos. O primeiro estímulo do dia define o tom do sistema nervoso. Se é uma tela, é reação. Se é silêncio, é escolha.

  • O café ou o chá feito com atenção. Sem multi-tarefa. Sentir o cheiro. Segurar a xícara. Esse momento pode ser o seu respiro antes de tudo começar.

  • 5 coisas. Você já deve ter visto por aí, mas funciona: nomear 5 coisas que você vê, 4 que você toca, 3 que ouve, 2 que cheira, 1 que saboreia. É um reset sensorial. Um micro-ritual de aterramento.

  • Um momento antes de dormir. Não precisa ser meditação formal. Pode ser uma respiração longa. Pode ser passar a mão no rosto e dizer: você fez o que pôde hoje. Pode ser só fechar os olhos e sentir o peso do corpo no colchão.

  • Caminhar. Sem destino. Sem podcast. Sem pressa. Deixar o corpo se mover e a mente se reorganizar sozinha. Isso é meditação em movimento.

Nenhum desses rituais custa dinheiro. Nenhum exige crença. Nenhum precisa de mais de dez minutos.

Mas todos fazem a mesma coisa: devolvem você a você.

Entre nós

Deusa, a gente vive num mundo que glorifica a produtividade e trata presença como luxo. E o que eu quero te dizer essa semana é que presença não é luxo.

É decisão.

Você não precisa de mais tempo. Precisa de mais intenção dentro do tempo que já tem.

E ritual é isso.

Começa pequeno. Começa amanhã.

Um gesto. Um momento. Uma âncora.

E depois me conta.

Com carinho,

Laylä Föz 🌙

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