BRISA DA SEMANA

Deusa, vamos começar com uma verdade simples: a comparação não é um defeito seu, mas la é um comportamento aprendido.

Você não acordou um dia se comparando. Você treinou isso. Um feed por vez. Um recorte por vez. Um corpo editado por vez.

Quando a mente passa horas olhando para vidas organizadas em vitrine, ela começa a usar aquilo como referência.

Mesmo sabendo que não é o todo. Mesmo sabendo que ali quase nunca existe processo, bastidor ou dia ruim fora de cena.

Ainda assim, a mente compara. Porque é isso que ela faz quando está tentando se orientar.

Comparação como hábito mental

A comparação não aparece só quando você está insegura. Ela aparece quando você está exposta demais a referências externas.

Redes sociais criaram um ambiente em que o cérebro recebe, o tempo todo, dados sobre sucesso, beleza, produtividade, felicidade e estilo de vida.

O problema não é ver o outro. O problema é transformar isso em régua.

Quanto mais tempo você passa no feed, mais a mente entende que precisa se posicionar:

  • Estou adiantada ou atrasada?

  • Sou suficiente ou não?

  • Estou fazendo certo ou errado?

Esse estado constante de avaliação consome energia mental. E quando você se dá conta, está cansada sem ter feito nada de errado.

Quando a comparação deixa de inspirar

Existe uma diferença clara entre inspiração e tortura, e o corpo sabe disso antes da mente.

Inspiração expande. Te dá vontade de tentar. Te aproxima de possibilidades.

A comparação tóxica contrai. Gera urgência, ansiedade e aquela sensação de insuficiência que vem como se fosse verdade.

Se depois de consumir um conteúdo você se sente menor, atrasada ou pressionada, aquilo não está te inspirando. Está te empurrando para um lugar de cobrança que não é sustentável.

O problema não é alguém estar indo bem. É você usar isso como prova de que está indo mal.

Inveja como informação

Deusa, vamos tirar a inveja do lugar moral.

Inveja não é caráter, e sim um sinal. Ela mostra algo que você deseja, mas talvez não se permitiu querer com clareza. Liberdade, visibilidade, coragem, autonomia, expressão.

Quando a inveja aparece, o convite não é se julgar. É investigar.

O que exatamente nisso me toca? O que isso revela sobre algo em mim que quer crescer?

Ignorada, a inveja vira ressentimento. Escutada, vira direção.

Atenção roubada, valor terceirizado

Quanto mais você se compara, menos constrói referência interna.

Quando todo parâmetro vem de fora, a mente perde chão. E aí qualquer post vira sentença, qualquer story vira medida, qualquer imagem vira ameaça.

Reduzir o scroll não é demonizar redes, mas sim recuperar a capacidade de se ouvir.

Ter espaços sem plateia, sem comparação, sem performance.

Criar, pensar e viver coisas que não precisam ser mostradas devolve à mente um senso de valor que não depende de aprovação externa.

Entre nós

Eu também sinto a comparação bater quando estou longe demais de mim. Quando passo tempo demais olhando para fora e tempo de menos construindo o que é meu.

Sempre que volto para o que faço sem mostrar, para o que me nutre sem aplauso, a comparação perde força. Não porque desaparece, mas porque deixa de mandar.

Comparar cansa. Ter raiz descansa.

A comparação não vai sumir do mundo. Mas ela não precisa ser o eixo da sua vida.

Talvez a pergunta dessa semana seja simples: o que você tem usado como régua para medir quem você é?

Com carinho,

Laylä Föz 🌙

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