BRISA DA SEMANA
Deusa,
Tem mulher que chora no aeroporto antes do primeiro embarque sozinha.

Não de medo do avião. De medo de si.
Uma mochila menor do que precisava, a passagem na mão, alguns dias reservados e nenhuma ideia do que fazer do segundo dia em diante.
Tudo dentro dela dizendo "volta pra casa, inventa uma desculpa, ninguém vai julgar". E uma voz pequena, lá no fundo, dizendo: "se você não for agora, vai passar o resto da vida adiando".
As que vão, voltam outras.
E essa semana eu quero te contar por quê.

A cultura que ensina mulher a ter medo de si
Rebecca Solnit, ensaísta americana, escreveu num livro chamado A Field Guide to Getting Lost uma coisa que eu nunca esqueci: se perder é uma das experiências mais importantes que existem, e mulheres foram ensinadas a evitar isso a qualquer custo.

Olha que verdade incômoda.
Desde criança, a gente ouve "cuidado", "não vai sozinha", "fica perto", "avisa quando chegar".
O mundo ensina menino a explorar e ensina menina a se proteger. E aí a gente cresce com um GPS interno que pisca alerta toda vez que pensa em sair sem companhia.
Cheryl Strayed atravessou sozinha 1.700 quilômetros do Pacific Crest Trail depois de perder a mãe e o casamento, e escreveu Wild contando o que aconteceu.
A frase mais bonita do livro, pra mim, é quando ela diz que a estrada não foi fuga, e sim um encontro.
É isso que ninguém te conta sobre viajar sozinha. O destino é só o pretexto. O que fica é a descoberta de que você se basta.

O que se aprende quando ninguém olha
Tem coisa que você só descobre quando não tem testemunha.
Que você consegue jantar sozinha sem fingir que está esperando alguém.

Que você consegue pegar um trem errado, descer numa cidade que não estava no plano, e achar bonito.
Que você consegue chorar num parque estrangeiro às três da tarde, e o sol continua descendo, e você levanta, e segue.
Que você consegue dividir um quarto com sete desconhecidas e sair de lá amiga de duas pra vida.
Que o silêncio prolongado não te mata. Pelo contrário, te devolve voz.
E uma vez que você sente isso no corpo, alguma coisa muda pra sempre. Você passa a saber, no nível ósseo, que pode contar com você.

E quando solo não dá conta
Agora, deixa eu te falar uma coisa importante.
Existe um outro tipo de viagem que ensina algo igualmente necessário: que você não precisa fazer tudo sozinha. A viagem em grupo de mulheres, conduzida com intenção, é um caminho próprio, com uma potência que a jornada solo não alcança.

Em agosto eu vou estar num rio, dentro de um barco-casa, com um grupo de mulheres que vão chegar sozinhas e atravessar junto.
Águas Amazônicas — 6 a 12 de agosto de 2026.
Seis dias navegando os rios Tapajós, Amazonas e Arapiuns, em Alter do Chão, com a Ma Montoro como co-host.
Remando na mesma direção sem nenhuma de nós perder a própria.
Comida ribeirinha, banhos de igarapé, noites sem internet, conversas que só acontecem quando o celular sai de cena, encontros com mulheres da floresta que sustentam o que sabem há séculos.

Um investimento de R$ 8.500, em até 8x de R$ 1.100 no PIX. Hospedagem, refeições e experiências inclusas. Restam 12 vagas.
Solo te ensina que você se basta.
Grupo te ensina que você não precisa fazer tudo sozinha.
As duas educam, e nenhuma substitui a outra.

Entre nós
Deusa, se você nunca viajou sozinha, não estou te empurrando pra Amazônia amanhã.
Estou te convidando, primeiro, a sentar com a pergunta: por que ainda não?
E não vale a primeira resposta automática.
Não vale "não tenho dinheiro" sem olhar de novo, nem "não tenho com quem deixar", nem "meu companheiro não gostaria", nem "depois eu vou".
Essas respostas são a casca.
A pergunta verdadeira é mais incômoda: do que você tem medo, no fundo, de descobrir sobre si quando estiver só com você?
Pode ser bonito o que aparecer.
Pode ser doloroso.
Provavelmente vai ser as duas coisas…
Mas o medo de viajar sozinha é menor que o medo de chegar aos sessenta nunca tendo se conhecido.
Vai, é importante! Mesmo que seja perto. Mesmo que seja três dias. Mesmo que alguém ache estranho…
Vai. E me conta o que você descobriu!
Com carinho,
Laylä Föz 🌙
