BRISA DA SEMANA

Às vezes não é a falta de amor que desgasta um casal.

É a necessidade de ter razão.

Segundo o psicólogo John Gottman, um dos maiores riscos para um relacionamento não está no coração, mas na mente: a autojustificação.

Quando a discussão deixa de ser sobre o que aconteceu e passa a ser sobre quem eu sou, cada erro vira ameaça.

E o vínculo passa a pagar a conta.

O vilão nos relacionamentos

A autojustificação começa sutil, uma defesa quase automática: “eu tô certa, você tá errado”.

Mas logo se torna mais rígida: “mesmo que eu esteja errada… eu sou assim”.

Nesse ponto já não é sobre comportamento, é sobre identidade.

E quando a identidade entra em jogo, o erro deixa de ser reparável.

No começo, muita coisa passa despercebida, a gente quer acreditar que encontrou a pessoa certa.

Mas quando as situações desconfortáveis surgem, cada lado foca no erro do outro, e a mente, pra proteger a própria imagem, cria teorias.

O viés de confirmação completa o ciclo. As coisas boas do outro somem do radar e os nossos deslizes também.

A relação deixa de ser espaço de encontro, e vira um tribunal.

O mito da catarse

Muita gente acredita que “colocar pra fora” resolve a raiva, xingar, gritar, socar o travesseiro, como se a explosão fosse uma forma de limpeza.

Mas não é.

É o contrário: cada explosão reforça o caminho da irritação.

No livro Erros foram cometidos (mas não por mim), os autores mostram que quando eu ajo com agressividade, meu corpo entra em estado de alerta: coração dispara, músculos tensionam, respiração encurta.

Se eu já estava irritada, agora estou ainda mais.

Só que a mente precisa manter a história de que eu sou uma boa pessoa.

Então, pra não admitir o erro, ela inventa justificativas:

  • “eu tinha motivo”;

  • “eu só reagi ao que fizeram comigo”.

Esse ciclo cria dois efeitos ao mesmo tempo: o corpo aprende o atalho da explosão, e a mente licencia a próxima vez.

O resultado é conhecido:

  • Alívio de dez segundos;

  • Ressaca emocional de horas.

A boa notícia é que esse mesmo mecanismo funciona ao contrário.

Se eu ajo com cuidado, minha mente precisa ser coerente: “se eu ajo com gentileza, então eu sou alguém que age com gentileza”.

E isso reforça um círculo virtuoso.

A raiva se alimenta da catarse.

O cuidado se alimenta da prática.

3. A muralha da autojustificação

Deusa, me conta: você já percebeu como sempre temos uma desculpa perfeita na ponta da língua?

  • Se eu chego atrasada, foi o trânsito.

  • Se eu fico grossa, é porque eu estava cansada.

  • Se eu erro, é porque alguém me provocou.

Menos você, claro. Você é exceção. Nunca erra. 🌙

A mente é craque em criar narrativas para proteger o ego. Isso tem nome: dissonância cognitiva.

É quando nossas ações não batem com a imagem que temos de nós mesmas. E, como queremos continuar acreditando que somos boas pessoas, justas, inteligentes, coerentes… o cérebro edita a realidade até ela caber na autoimagem.

É por isso que tantas vezes, depois de uma briga, passamos dias nos convencendo de que estávamos 100% certas, quando no fundo só estávamos famintas e sem paciência.

E não para por aí, não é só individual, políticos, empresas e até países inteiros usam o mesmo mecanismo para justificar guerras, corrupções, injustiças.

No fundo, admitir o erro ameaça a identidade. Então a mente prefere distorcer os fatos a dizer: “eu falhei”.

O problema é que, quando escondemos o erro, matamos a chance de aprender.

O erro, que deveria ser mestre, é trancado num porão.

Caminhos possíveis

Deusa, se for pra proteger alguma coisa, protege o vínculo, não o ego.

Isso não significa se calar ou aceitar o que não faz sentido pra você. Significa lembrar que o amor não precisa ser tribunal. Pode ser espaço de encontro.

Algumas práticas que ajudam a sair do ciclo da autojustificação:

Pausa do ego

Respira antes de reagir. Pergunta pra si mesma: estou defendendo o vínculo ou só o meu orgulho?

Prova contrária

Liste três gestos recentes do outro que desmentem a teoria de que “ele sempre faz tudo errado”.

Troca o “você” pelo “eu”

Em vez de “você nunca me ouve”, tenta: “eu me sinto invisível quando não sou ouvida”.

Reparo rápido

Se errou, pratica o trio: reconhecer → validar → propor um gesto concreto.

Inventário de bondade

Toda semana, anote três atitudes positivas do outro, isso mantém o radar calibrado para o que também é bom.

São micro-movimentos, mas cada um abre espaço para o vínculo respirar de novo.

🌙 Entre eu e você

Eu também passo por isso, deusa.

Já me peguei inventando histórias só pra não admitir que errei.

E, no fundo, era só orgulho.

Às vezes, percebo que a vontade de ter razão fala mais alto do que o desejo de cuidar do vínculo.

E quando isso acontece, a distância aparece rápido.

O silêncio pesa.

Mas também tenho visto como pequenos gestos de reparo mudam tudo.

Um “eu exagerei”, um abraço na hora certa, um convite pra recomeçar.

Cada vez que escolho o vínculo em vez do ego, sinto que o amor respira de novo.

Não é sobre nunca errar, é sobre não se esconder atrás do erro.

Errar é humano.

Justificar eternamente é desumano.

A verdadeira força não está em vencer discussões, mas em transformar erros em pontes de crescimento.

E você, deusa, vai continuar colecionando justificativas… ou vai escolher o vínculo que faz o amor respirar?

Se quiser dar um próximo passo e saber mais sobre como lidar melhor nos relacionamentos, tudo o que eu escrevi aqui hoje foi retirado desse livro(vou deixar meu link e cupom de desconto para vocês):

Ps: não esquece de colocar o cupom: LAYLAFOZ

Com carinho,

Laylä Föz 🌙

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