Performance, performance, performance.
Dá pra ser mais rápido? Mais prático? Mais eficiente?
Respira, para tudo!
Quem disse que sempre é sobre eficiência?
E se hoje fosse sobre desfrutar do processo?
A fissura pelo “otimizar” não nasceu do nada. A gente é filha de guerras, de invernos duros, de escassez — gerações treinadas pra sobreviver administrando cada migalha de tempo e energia. Funcionou lá atrás. Só que agora a tempestade tá do lado de fora… e a gente tá no sofá, com internet e uma lista infinita de demandas que não param. Resultado? Uma humanidade íntima de burnout, ansiosa, achando que “ser feliz” é apertar play na produtividade.
Só que sobrevivência e vivência não são a mesma coisa.
Eu posso cortar o talo do buquê com pressa — ou tirar folha por folha, em silêncio, percebendo o que o gesto me ensina. Posso fazer um purê de batata “do jeito certo” — ou descascar dançando, lembrando da minha avó, errando no tempero e acertando na memória.
E se o objetivo da ação for… a própria ação? (Obrigada, Bhagavad Gita, por esse tapa de luva.)
Tem sempre um tio do lado dizendo: “faz melhor assim, economiza dois minutos”.
Mas eu preciso? Ou eu posso curtir o meu purê, do meu jeito?
A verdade é que eficiência eterna empobrece a experiência. Quando a sobrevivência já tá garantida, o convite é viver — colocar poesia no cotidiano, não por capricho, mas por sanidade.

Micro-práticas pra semana (sem performance, juro)
Escolha um ato e desacelere. Fazer café, tomar banho, arrumar a cama. Faça lento de propósito. Note texturas, cheiros, sons.
Regra do 80%. Nem tudo precisa do seu máximo. Entregue 80% em tarefas operacionais e guarde energia pra aquilo que pede alma.
Um “não” por semana. Diga não ao que só pressiona e não nutre. Abrir espaço pros “sins certos” é autocuidado de gente grande.
Ritual de 3 minutos. 4-2-6 na respiração (inspire 4, segure 2, expire 6) + uma pergunta: “Onde posso trocar pressa por presença hoje?”

Nota pessoal
Nos meus roteiros e na minha rotina, eu também caio na armadilha de correr, otimizar, resumir pra “performar”. Mas eu não tô aqui só pra ser eficiente. Tô aqui pra gostar do processo. Nos últimos dias, venho me policiando menos e ouvindo mais o ritmo interno — e cada vez que eu escolho presença em vez de pressa, a vida fica mais viva.
No fim, é simples e radical:
você não é uma máquina de resultados — você é uma artista do cotidiano.
Se isso fez sentido, manda pra alguém que tá precisando levar a vida menos a sério e os processos mais a sério.
E me conta: qual parte da sua semana você vai desacelerar de propósito?

Quer continuar esse papo?
Assista ao Reels sobre performance e vivência.
