BRISA DA SEMANA
Deusa, já parou pra pensar em quantas vezes a gente vive olhando sombras e chamando de realidade?

Platão contava essa história há mais de dois mil anos, a da caverna, onde pessoas acorrentadas viam apenas reflexos projetados na parede e acreditavam que aquilo era o mundo… Mas, na verdade não era…
Só que um dia, uma delas se liberta, sai, e descobre que tudo o que via antes era só ilusão.

Mas quando volta pra contar, ninguém acredita…
Hoje a caverna é outra e as sombras também. Elas piscam nas telas, deslizam pelos dedos, se vendem como verdade.
Vivemos tão cercadas de versões editadas da vida, que esquecemos às vezes de olhar pra vida em si. Talvez o que Platão tenha tentado nos dizer lá atrás é que sair da caverna é sobre ver a si mesma sem os reflexos.

E, convenhamos, coragem maior que essa, deusa, é rara… Concorda?

As cavernas modernas
Deusa, as cavernas de hoje têm Wi-Fi, estamos presas no celular ou qualquer objeto que tenha luz das telas, mas às vezes é a própria luz que nos cega. Os reflexos agora são digitais… rostos filtrados, vidas editadas, opiniões instantâneas travestidas de verdade.
Somos empurradas para opinar o mais rápido possível, é a mídia, influenciadores e até vídeos simples no instagram…
E, sem perceber, a gente começa a confundir visibilidade com realidade.
Pesquisas mostram que passamos, em média, mais de 6 horas por dia conectadas, isso é, tempo suficiente pra acreditar que o que se vê ali é o que o mundo é. Mas o que acontece quando a vida fora da tela parece sem graça demais pra competir com as sombras luminosas?
E pergunta, você já deixou de sair para ficar em casa no celular? Por exemplo, chamar suas amigas para ir ao ar livre, deixar o celular em casa e só aproveitar uma conversa real - que você fala e ouve…

Me conta aqui, quero saber:
Você já deixou de ter conexões reais para ficar em telas?
A mente se distrai, o coração se desconecta e quanto mais olhamos pra fora, menos conseguimos nos escutar por dentro… Falta conexão com a vida real e com o nosso próprio interior, essa é a verdade…
Platão dizia algo, como: quem se acostuma à escuridão teme a luz.

Mas a real frase é:
Quando o prisioneiro sai da caverna e vê a luz do sol pela primeira vez, ele se sente cego, confuso e dolorido, porque seus olhos estavam acostumados à escuridão…
Mas a verdade é que o tempo que a gente “perde” longe das telas é o único tempo realmente ganho.
A coragem de sair
Platão dizia que, ao primeiro contato com a luz, o prisioneiro não se encanta. Ele se desespera. A verdade, no início, cega.
É mais confortável olhar sombras conhecidas do que encarar uma realidade que desmonta tudo o que parecia certo.
E talvez seja por isso que tanta gente prefere continuar nas mesmas ideias, nas mesmas bolhas, nas mesmas versões de si.
A caverna é quentinha. A luz exige escolha.
Mas o caminho da consciência é assim mesmo: desconfortável, lento, às vezes solitário.
É o momento em que você percebe que não dá pra culpar o mundo, o algoritmo ou o outro. Que ver mais claro implica também se ver mais fundo.
Sair da caverna é silenciar o barulho pra escutar a própria verdade.
E ter coragem de ficar ali, mesmo quando o sol dói nos olhos.
Porque uma vez que você enxerga, não tem volta.
A consciência, deusa, é irreversível…

Entre eu e você
Deusa, às vezes eu também me pego presa na minha própria caverna. Abro o celular pra “ver uma coisinha” e, quando percebo, já mergulhei nas “sombras”, ou seja, comparações, ruídos, urgências que nem são minhas.
E nessas horas lembro que o caminho pra fora não é uma fuga, é um retorno. Voltar pra dentro de si é o verdadeiro movimento de libertação.
É ali que a luz se acende, não na tela, mas na consciência. É como lutar com leões…

E toda vez que a gente escolhe se observar antes de reagir, se calar antes de opinar, respirar antes de rolar o feed, a gente está, pouco a pouco, saindo da caverna.
Então, essa semana, te proponho um experimento simples: desliga o mundo por um instante e observa o que sobra. É ali, no silêncio, que mora a tua luz.
Com carinho,
Laylä Föz 🌙
