🌹 BRISA DA SEMANA

Outubro é o mês em que o mundo inteiro fala de bruxas, mas, deusa, você já parou pra pensar no que essa palavra realmente significa?

Por trás das fantasias, das abóboras e dos feitiços de Halloween, existe uma história de poder e de perseguição… Mas que nunca querem nos contar de verdade.

Durante séculos, “bruxa” foi o nome dado às mulheres que ousavam ser autônomas: que conheciam o corpo, curavam com ervas, falavam com a natureza e se guiavam por uma força interior que ninguém podia explicar.

E como toda mulher que sabe demais, elas foram silenciadas.

Chamadas de perigosas, demonizadas, queimadas (não por magia), mas por liberdade.

O dia das bruxas, no fundo, é sobre a lembrança de um tempo em que o sagrado tinha rosto de mulher, e de como esse rosto foi apagado da história.

Talvez por isso tanta gente sinta uma estranha familiaridade com essa data.

Porque, em algum lugar dentro de nós, essa bruxaria antiga ainda pulsa.

A herança da mulher bruxa

Antes de ser personagem de filme, a bruxa era a mulher que sabia.

Sabia das ervas, dos ciclos, da lua, do corpo e dos mistérios da Terra, com conhecimentos que vinham da observação, da intuição e da conexão com o invisível.

E foi justamente por isso que ela se tornou “perigosa”. Durante séculos, o que chamaram de feitiçaria era, na verdade, sabedoria ancestral.

Mas o patriarcado nunca lidou bem com o poder feminino, o tipo de poder que não precisa de autorização. Quando as religiões matriarcais começaram a ser substituídas por estruturas masculinas, o feminino sagrado passou a ser condenado.

No livro Quando Deus Era Mulher - o melhor que li esse ano - a pesquisadora Merlin Stone questiona:

“Até que ponto a supressão dos ritos femininos foi, na verdade, a supressão dos direitos das mulheres?”

Essa frase me atravessou. Porque mostra que o que foi apagado não foi só o divino feminino, mas também o espaço das mulheres no mundo.

Ser bruxa, então, passou a ser sinônimo de ser indomável. De ocupar um lugar que não precisava ser explicado, apenas vivido.

Por trás das fogueiras, o que queimava era o medo da mulher livre.

E até hoje, quando chamam uma mulher de “mandona”, “difícil” ou “demais”, é o mesmo eco de uma história antiga tentando se repetir.

A diferença é que agora a gente não se esconde mais. A chama que tentaram apagar virou fogo de consciência.

Quando Deus era mulher

Antes do “Pai”, existia a “Mãe”. E antes que o sagrado ganhasse barba e trono, ele tinha ventre e seios.

Nas primeiras civilizações, a vida era vista como uma extensão do corpo feminino.

O nascimento, a fertilidade, as colheitas, os ciclos da lua, tudo isso era expressão de uma força criadora que morava na Terra e nas mulheres.

A Deusa Mãe era o centro dos cultos, e o feminino era reverenciado como o mistério primordial.

Mas essa cosmovisão começou a desaparecer quando sociedades patriarcais, movidas pela guerra e pela posse, tomaram o lugar das comunidades matriarcais e cooperativas.

E com elas, o poder feminino passou do altar ao esquecimento.

Dos mitos às realidades

Deusa, você já reparou, cercadas desde pequenas por histórias sobre o que significa “ser mulher”?

Algumas vieram em forma de contos de fadas, outras em romances, outras em ideais silenciosos que foram sendo passados de geração em geração.

Cinderela, Afrodite, Eva, Simone de Beauvoir, Virginia Woolf, todas, à sua maneira, carregam pedaços do feminino moldados pela cultura de cada época.

O livro Mulheres, Mitos e Deusas fala exatamente sobre isso: como o imaginário coletivo cria e repete arquétipos que acabam definindo o que é “aceitável” numa mulher: dócil, bela, submissa, cuidadora, mas nunca poderosa demais.

E o mais curioso é que esses mitos se infiltram na nossa psique sem que a gente perceba.

Por muito tempo, ser mulher foi um papel escrito por outros, mas há algo de revolucionário em reescrever a própria narrativa.

Em olhar pra essas deusas e heroínas e dizer: obrigada pelo espelho, mas agora eu escolho o meu reflexo. Porque o que chamaram de fraqueza: emoção, sensibilidade, empatia, é, na verdade, força.

E o que chamaram de feitiço sempre foi sabedoria.

Hoje, cada mulher que se recusa a se diminuir diante de uma estrutura, que escolhe ser voz e não eco, que se reconcilia com seu próprio poder, está - consciente ou não - quebrando um feitiço antigo.

 A bruxaria como resistência

Com o tempo, o medo virou mito.

E o mito, símbolo.

O que antes era perseguição hoje é linguagem de poder, a bruxa deixou de ser inimiga e se tornou arquétipo de liberdade. Mulheres que foram silenciadas pela história agora inspiram outras a falar, criar, questionar e ocupar espaços que antes eram proibidos.

O livro História da Bruxaria mostra esse movimento com lucidez: como o que começou como feitiçaria antiga renasceu nos movimentos neopagãos e no resgate do feminino selvagem e intuitivo.

Ser “bruxa” hoje é lembrar que a força não vem da obediência, mas da conexão, com a terra, com o corpo e com o próprio instinto.

É uma forma de dizer: queimaram nossas ancestrais, mas o fogo continua aceso.

Convite à mulher moderna

Deusa, a palavra bruxa já carregou medo, fogo e silêncio. Hoje, ela pode carregar presença, coragem e consciência.

Ser mulher em 2025 é, de certa forma, ser herdeira dessa linhagem das que curavam com ervas, das que questionavam o poder, das que ousavam pensar e sentir fora da norma.

Cada vez que você se escuta, coloca um limite, confia na sua intuição ou escolhe o próprio caminho, você acende uma fogueira antiga dentro de si.

Então, nesse mês das bruxas, te convido a honrar essa força que vive em você:

  • Faça algo que te reconecte com a Terra, mesmo que seja andar descalça por alguns minutos;

  • Resgate um ritual seu, por menor que pareça, acender uma vela, escrever um desejo, respirar antes de decidir;

As bruxas que vieram antes de nós não foram apenas lendas, foram as primeiras a dizer não a um mundo que dizia não a elas.

E é por isso que hoje a gente pode dizer sim à nossa própria essência.

“Queimaram as bruxas, mas o que nunca entenderam é que elas eram o fogo.”

Eu confesso, deusa, sempre que chega outubro, algo em mim desperta.

Talvez seja essa memória antiga de um tempo em que o sagrado tinha o perfume das ervas e o som do riso feminino.

Talvez, seja o desejo de lembrar que a liberdade que hoje eu vivo foi sonhada e muitas vezes paga, por mulheres que vieram antes.

Essas histórias não são passados, são espelho.

A “bruxa” de ontem é a mulher de hoje: criadora, intuitiva, resiliente, inteira.

E talvez o maior feitiço de todos seja esse, não deixar que o fogo da consciência se apague.

Então, em homenagem à tua própria bruxaria inata, deixo aqui um trio de leituras poderosas, são três livros que expandem o olhar sobre o feminino, o sagrado e a história:

  • Quando Deus Era Mulher;

  • Mulheres, Mitos e Deusas;

  • História da Bruxaria.

Os três estão com 40% de desconto até o fim de outubro pela Editora Goya, uma das minhas editoras favoritas, voltada ao autoconhecimento e à consciência feminina.

E usando o cupom LAYLAFOZ, você ainda garante um desconto.

Com carinho,

Laylä Föz

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