BRISA DA SEMANA
Shakespeare e os papéis que você cansou de interpretar

Deusa… já percebeu como, às vezes, você vive mais o papel do que a sua própria vida?
Tem o papel da forte, que nunca pode falhar.
O da compreensiva, que entende tudo, até o que machuca.
O da equilibrada, que segura as pontas enquanto o mundo cai.
E o da leve, que sorri mesmo quando está exausta.
A verdade é que ninguém nos ensinou a ser só pessoa, sempre tivemos que ser personagens também. E, foi isso que Shakespeare entendeu antes de qualquer psicólogo moderno:
Que o mundo é um palco, sim… mas que existe um custo quando você se perde no personagem.
Ele via o humano com uma lucidez quase inquietante. Não escrevia sobre reis, escrevia sobre nós, que somos exagerados, contraditórios, emocionados, intensos demais ou silenciosos demais.

Por isso as histórias atravessaram séculos, basicamente, porque continuamos iguais, só mudamos o figurino.
E talvez esteja na hora de você notar quais papéis ainda está atuando sem perceber.

1. O palco interno
Shakespeare acreditava que cada pessoa carrega um teatro dentro da cabeça, e que, sem perceber, a gente se acostuma a interpretar os mesmos papéis:
A que agrada.
A que salva.
A que aguenta.
A que não reclama.
A que é sempre “mais madura”.
Mas toda personagem tem um preço: ela engole a mulher que você realmente é.
O problema não é representar, isso faz parte da vida, mas esquecer quem é a autora. Se você não escreve o próprio roteiro, alguém sempre escreve por você.
Então, deusa, sempre tome cuidado para ser realmente você!

2. A sombra que você finge que não vê
Shakespeare escancarou o que muita gente evita até hoje: que todo mundo tem uma sombra.
Ciúme, medo de rejeição, orgulho, desejo, insegurança, impulsos que você não gosta…
Tudo isso aparece nas peças porque tudo isso aparece em nós.

E a tentativa de esconder a sombra é justamente o que transforma a vida em tragédia. O ciúme de Otelo não nasceu grande, foi ignorado até crescer.

A ambição de Macbeth não começou violenta, foi alimentada no silêncio.

A idealização de Romeu e Julieta é só o que acontece quando emoção vira óculos.

Shakespeare não queria que a gente temesse a sombra. Queria que a gente reconhecesse que ela existe. Porque a sombra só domina quando você finge que não está ali.

3. Quem você seria sem o figurino?
Às vezes, o maior ato de coragem é tirar a fantasia emocional que você usa há anos.
A da mulher que sempre dá conta.
A da que não sente tanto.
A da que não pede.
A da que nunca erra.
A da que “tá tudo bem”.
Se fôssemos reinterpretar Shakespeare, ele diria que nenhum personagem foi feito pra vida inteira.
Você pode escolher outro.
Você pode reescrever sua fala.
Você pode abandonar um ato no meio da peça e começar o próximo de outro jeito.
A tragédia só nasce quando você acredita que não tem escolha… Entende isso?
Você pode ser quem você quiser, e mudar quantas vezes quiser.
Seja livre!

Entre eu e você
Deusa, eu também já me peguei vivendo uma versão de mim que não fazia mais sentido.
Respondendo como esperavam, me comportando como “deveria”, segurando histórias que já não eram minhas.
Até perceber que eu estava atuando no automático, e que ninguém ia me devolver a direção se eu mesma não assumisse.
Shakespeare me ensinou isso: às vezes a vida pede menos performance e mais alma.
O personagem pode ser forte, mas quem precisa respirar é você.
Pense bem no conteúdo de hoje!
Com carinho,
Laylä Föz 🌙